Divertida, alegre e sonhadora: quem era a cantora gospel que morreu após internação no TO
10/06/2026
(Foto: Reprodução) Cantoras gospel conseguiram se apresentar na Europa antes da morte de irmã
Arquivo Pessoal
A cantora Ana Clézia morreu aos 38 anos após passar sete dias internada em Palmas. Ela realizava tratamento para problemas no fígado havia 15 anos, convivia com outras doenças crônicas e não chegou a realizar o transplante indicado pelos médicos. A irmã e parceira musical, Laudicéia Gomes, lembra que ela era uma pessoa divertida, alegre e sonhadora.
A artista entrou em coma no mesmo dia em que foi internada, na última sexta-feira (5), e não voltou a despertar. Ao lado da irmã, conquistou público no meio evangélico em Palmas e ficou conhecida pelo trabalho de adoração, construindo uma trajetória consolidada no ministério e lançando três CDs ao longo da carreira.
"Ela sempre sonhou alto, tinha uma visão de águia. [...] Sempre cantando, no lugar que chegasse, podia dar um violão, "bater" qualquer instrumento que ela já cantava. Ela viveu o mesmo tempo que uma pessoa transplantada vive, e ela foi feliz. Minha irmã foi feliz", diz Laudicéia.
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As cantoras chegaram a vender coxinhas e galinhada, além de montar um bazar e uma barraca de guaraná da Amazônia para custear a produção e o lançamento do primeiro CD com músicas autorais. A irmã conta que Ana sempre sonhou alto e era o carro-chefe da dupla.
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“As primeiras agendas fora do estado, na Bahia, Ceará e Maranhão, eram uma comemoração. Ela quem preparava as agendas. O sonho maior da dupla sempre foi dela. Ela era divertida, fazia um amigo em todo lugar. [...] Tudo que ela sonhou, Deus realizou”, relata.
As cantoras rodaram 14 estados do Brasil cantando para públicos evangélicos, participaram de congressos internacionais realizados em Portugal e na Itália e chegaram a cantar no Paraguai no início do ministério musical.
O sonho de cantar nasceu quando Ana tinha 20 anos e Laudicéia, 18. Elas estavam fazendo faxina em casa e ensaiando uma música para cantar em uma igreja em Luzinópolis. Após se apresentarem, foram incentivadas a seguir pelo caminho da música.
“Falar da Ana Clézia é sorrir até na tristeza, porque mesmo com a partida da minha irmã, tudo que eu lembro dela me faz sorrir. Eu falei pra ela que sei que precisaria continuar [cantando], mas hoje olho para mim e não sei como vou continuar sem ela”, conta.
Vida guiada pela música
Ao longo dos anos, elas ficaram conhecidas como adoradoras e mantiveram presença constante em igrejas e eventos religiosos nos estados do Tocantins, Bahia, Ceará, Maranhão e Pará.
O repertório da dupla reúne canções como “Deus É Com Você”, “Ele Virá”, “Lindo Céu” e “Não Tem Lógica”. Além dos álbuns físicos, Ana Clézia também investiu no ambiente digital, disponibilizando singles e videoclipes em plataformas de streaming.
A última agenda oficial da dupla ocorreu em 22 de novembro de 2025. As irmãs já vinham reduzindo as apresentações públicas por conta do estado de saúde de Ana.
Dupla evangélica Ana Clézia e Laudicéia
Divulgação/Andrey Rodrigues
Saúde debilitada
Ana recebeu o diagnóstico de doenças crônicas aos 14 anos de idade. De acordo com Laudicéia, a irmã tinha artrite reumatoide, lúpus, colite e retocolite ulcerativa.
A última internação aconteceu por causa de uma pedra nos rins, no dia 5 de junho. Ela foi levada para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em Palmas.
“Deram uma medicação para aliviar a dor e ela não acordou mais. Três dias depois, ela foi intubada. Ficaram esperando ela despertar daquela encefalopatia, que ela já tinha apresentado outras vezes, e tentaram fazer hemodiálise no último dia para ver se ela reagia”, explica.
No dia 15 de abril, Ana mostrou aos seguidores alguns momentos de seu tratamento. Nas imagens, aparece visivelmente debilitada e com hematomas nas pernas. “Estou viva e vamos pra guerra porque o nosso general é Cristo e Ele nos garante vitória”, escreveu a cantora.
Antes da morte, na sexta-feira (5), o estado de saúde de Ana Clézia era considerado grave, segundo boletim médico divulgado na quinta-feira (4). A equipe médica tentou realizar hemodiálise, mas precisou interromper o procedimento devido à instabilidade clínica.
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